It's my life.


A roqueira, tachada de revoltadinha resolve se afastar de tudo e todos, morar distante dos que abominavam sua triste vida. Se torna antissocial, e começa a se acostumar, quando o que ela mais temia acontece... Bom, isso você descobre lendo ;)
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Tudo o que eu mais odeio no mundo são as pessoas que jugam, elas não podem fazer nada melhor que jugar, e então elas passam a vida julgando tudo e todos. Mas não posso fazer nada que não seja me afastar disso tudo, então comprei uma casa longe de onde todos me conhecem, pra ficar em paz comigo mesma, esculto meu rock todos os dias, e minha vida tem sido como eu sempre sonhei desde os treze anos. Minha paz era completa, ate o novo vizinho começar a morar na casa ao lado. Nem dei muita importância, não contando por sua beleza, é claro, mas isso não vem ao caso, me arrumei como sempre pra ir ao bar da esquina, essa hora a bebida é três vezes mais cara, porém pouca gente vai, então prefiro pagar mais que ficar em publico, vesti uma roupa qualquer, preta e branca, bem minha cara e sai de casa, entrei no bar e sentei na mesa mais escondida, o dono, James, veio anotar meu pedido, pedi uma vodka e uma cerveja, acendi meu cigarro e traguei soltando a fumaça lentamente, meu iphone tocou, claro, bem alto, no toque era o grito do Paul McCartney no finalzinho de Hey Jude, todas as poucas pessoas olharam pra mim, atendi não dando importância a elas, era minha amiga Sophia, sim, eu tenho uma amiga, na verdade tenho duas, mas são apenas duas. 
- Oi Soph 
- Oi minha jumenta, quero ir pra sua casa ficar contigo, posso?
- te aguardo, quando vem?
- hoje de madrugada chego.
- tudo bem, beijos. 
- ok, beijos - apaguei o cigarro e pedi mais vodka, abaixei a cabeça verificando meu e-mail de trabalho.
- Posso me sentar aqui? - apenas levantei meus olhos, era ele, meu vizinho, antes que eu lhe desse uma patada ele sentou - boa noite pra ti.
- pra você também - não dei muita atenção e voltei a ler meu e-mail, ele pediu algo ao James que logo trouxe.
- é amigo dela? - perguntou James surpreso 
- em breve - nada respondi, apenas ri forcado entre os dentes, ele era muito convencido. - Então, qual seu nome loirinha?
- Lua, Lua Blanco, e não fique pensando que sou legal - ele riu 
- bom, me chamo Arthur. Aproposito, bonito nome o seu. - olhei pra ele ainda com cara de tédio
- nada te anima não? - balancei a cabeça negativamente 
- quer sair pra beber em algum lugar com musica?
- odeio lugares cheios e barulhentos 
- barulhentos ? Ouço rock pesado vindo de sua casa todos os dias. 
- esta chamando rock de barulho? - pra evitar que piore tudo levantei e paguei a conta, andei comecei a andar apressada até em casa, olhando de canto vi ele fazendo o mesmo, que cara insistente. Me adiantei e perdi ele de vista.
- Buh - me assustei, mas não demostrei muito 
- que porra, me deixa em paz
- quero te mostrar uma coisa, pra mudar sua opinião sobre mim e seu rock - bufei entre os dentes
- acha mesmo que vou entrar na sua casa?
- eu acho que vai gostar de ver, e se for te dou uma coisa que aposto que não tem ainda
- não enche cara 
- não vai porque tem medo - fingi achar graça
- não me subestime 
- acabei de fazer isso - me desafiou 
- ok, vamos - cedi 
- aposto que vai gostar 
- assim espero. - entramos na casa dele, cheia de posteres de rock, achei que ele nem gostava, mas tinham muitos, e cds, dvds espalhados no chão  me senti em casa, só que a minha era arrumada 
- mal viu e já gostou, não liga pra bagunça 
- convencido 
- venha - ele acendeu a luz do quarto e me convidou pra entrar, parei na porta - não vou fazer nada com você  te dou minha palavra de homem - ri comigo mesma e entrei, muito foda, era todo cheio de coisas do nirvana e beatles, minhas bandas preferidas, eu tinha maioria das coisas, mas mesmo assim era ótimo achar alguém com mesmo gosto que eu. 
- confesso que gostei.
- isso não é o melhor - ele pegou uma caixa e tirou um box completo da coleção australiana do nevermind, do nirvana, quase gritei - bom, isto é seu
- por que vai me dar isso? - indaguei 
- porque gosto de ouvir o som do bom rock vim de sua casa 
- eu agradeço, mas não vai me comprar me dando isto - sai de sua casa sem aceitar o presente, ele me seguiu novamente
- eu não quero de comprar - falou andando 
- parece.
- mas não, eu não quero, eu quero te fazer melhor, parece triste - inorei e entrei em casa, fechei a porta com tudo - pode fechar, vou te esperar mudar de ideia aqui mesmo, abri a porta novamente.
- entre. - abri um pouco mais a porta e lhe dei espaço, ele entrou - senta ai no sofá 
- obrigado, vou deixar isso aqui
- se vai me dar algo também te darei algo - entrei no meu quarto e peguei um box especial dos beatles 
- isso vai ser mesmo meu? 
- pegue logo, não me amola
- obrigado - ele levantou e me puxou para um abraco, logo me soltei, eu me tornei um ser estranho, antissocial demais pra carinhos.
- tudo bem, me espere aqui, vou pegar algo pra comermos - ele voltou a se sentar e começou a ler o box que havia li dado. Preparei macarronada e voltei pra sala. 
- cheiro bom - então comemos, falando dos box's e sobre as musicas que tinham neles, era madrugada - acho melhor eu ir em bora Lua 
- ta bom 
- eu posso vir aqui conversar mais?
- sim, mas só por causa do box do nirvana - rimos e ele se despediu, abri a porta e dei de cara com Sophia 
- oi Lua, quem é esse?
- meu vizinho - vi Sophia olhando pra nos dois maliciosamente 
- eu já estava indo, foi um prazer, até logo 
- tchau - falamos juntas e Sophia entrou, iria começar ela com suas insinuações de que eu finalmente desencalhei 
- desencalhou? 
- é meu vizinho, ta surda agora?
- então foi uma rapidinha? 
- não Sophia, trocamos dvd e comemos juntos
- vocês se comeram?
- cala a boca porra - ela nada falou, apenas voo em mim e me abracou forte, retribui, tava com saudades da minha amiga.
- saudades de ti Lu. - afirmei e ela me deu um selinho, rimos
- também branca
- vamos dormir, quero sair quando clarear 
- pra onde?
- não sei, estou namorando o Micael, lembra dele?
- Sim, sim, vai sair com ele?
- sim, mas só de noite, de manha fico aqui com você ouvindo rock - eu ri alto e depois fui tomar banho, o outro dia foi legal, escultei rock com Sophia, comemos e conversamos muito, de noite ela iria sair com Micael.
- tchau Lu, volto mais tarde - ele me deu um selinho novamente - sim, praticamos atos lésbicos, hahaha, mas somos héteros.
 E eu fui pro bar da esquina como sempre. Sentei na mesa do canto e pedi minha vodka. 
- Ei, boa noite - disse Arthur sentando comigo 
- Oi. - ele sorriu pra mim.
- paga mais caro pela bebida pra não se relacionar com muita gente - assenti - quer conhecer algum lugar mais calmo? - assenti novamente, hoje eu estava em uma noite depressiva, queria chorar e me cortar, meus olhos enxeram de lagrimas, então ele pagou a conta e me levou pra fora dali, entramos no carro dele e ele dirigiu ate um lugar qualquer, deixei minha cabeça escorregar e cair entre os joelhos, comecei a chorar, ele tirou sua jaqueta de couro e passou sobre meus ombros, senti o cheiro dele e funguei discretamente.
- quer contar o por que? 
- talvez sim - então ele suspendeu minha cabeça pelo queixo me fazendo olhar pra vista a minha frente, a praia, a lua o mar, a brisa entrando pela janela.
- pode falar se quiser 
- eu fico muito triste de não ter forcas pra socializar, sabe?
- sim, me sinto igual
- mas você me procurou, você parece ter amigos
- enganada mocinha, eu mudei pra me afastar assim como você, posso ver que parece comigo, por isso te procurei, pra te tirar disso 
- me leva pra casa? - pedi meio perdida, ele assentiu, e voltamos, entrei em casa e ele me puxou, puxei ele ate a parede de entrada da minha sala, nos encaramos trocando as respirações, resolvi me soltar, mas antes dei um beijo em sua bochecha, ele parecia me entender, me deu um beijo no topo da testa e saiu. 
- Eu vi isso Lua 
- que susto Sophia!
- e por que não beijaram? 
- você sabe, eu não quero
- mas claro que quer, que droga Lu - meus olhos se enxeram de lagrimas, sentei no sofá e chorei baixinho - calma amiga, calma - ela me desfez e me abracou forte, retribui 
- tenho medo de magoa-lo, tenho medo de não saber me comportar Soph
- você vai aprender Lua, você gosta mesmo dele?
- claro que não, não o conheço a uma semana! Acho melhor me afastar, não quero correr esse risco. 
- Lu, faz o que achar melhor, mas eu acho que você deveria pensar melhor. 
- eu vou pensar meu amor, vou pensar - me agarrei nela e dormimos ali mesmo 
- bom dia Lu - cocei meus olhos e me levantei - vou sair, de noite eu volto ta?
- ta bom 
 Tomei um banho, comi alguma coisa e fiquei escultando bon jovi, alguém chegou na porta, abaixei o som e caminhei entediada ate la. 
- Bom dia Lua, quer almoçar comigo? - era Arthur, usava uma jaquete de couro parecida com a minha sorri, mas resolvi aceitar 
- tudo bem, pedirei pizza 
- eu já pedi - riu 
- ah, então entre por favor
- bom obrigado, fico feliz por aceitar, sua companhia me agrada - sorri - desculpa por ontem - corei 
- não se importe
- se quiser aumente o som, adoro it's my life - aumentei e cantamos o refrão juntos.
  A tarde inteira conversamos como velhos amigos, quando menos esperei estava totalmente aberta pra ele, completamente legal, isso era bom, e ruim, porque demorei anos pra me tornar o que me tornei e acabei voltando a ser o de antes. 
- Lua, acho melhor eu ir 
- não - falei com impulso - fica mais 
- preciso tomar um banho, quem sabe mais tarde eu volto - assenti e ele me deu um beijo atrapalhado no topo da testa. - tchau - abri a porta pra ele e depois fui dormir, acordei de noite, arrumei o cabelo em um coque e tomei um banho longo e demorado, me vesti e fui ao bar, como sempre. Sentem na mesa de sempre, pedi uma vodka e comecei a tomar, lentamente, Arthur entrou no bar e sentou ao meu lado, pediu uma cerveja e tomamos em silencio. 
- Lua?
- Oi. 
- quer ver filme la em casa? 
- quero. 
- vamos? - assenti, ele fez questão de pagar a conta e então fomos. Caminhamos ate sua casa, ele abriu a porta e me deu passagem, entrei. - senta aqui, quer ver o que?
- o que você tem?
- bom, podemos ver algo engraçado?
- você que sabe - ele pegou alguns e me mostrou, escolhi um de terror.
- tem cinzeiro Arthur? - ele puxou um e algumas carteiras de cigarro, peguei um cigarro de uma das minhas carteiras mesmo e acendi. Ele pegou um e fumamos juntos, o filmes começava a dar medo. Prendi minha mão em sua jaqueta e fiquei apertando.
- tem certeza de que quer ver este?
- sim
- ta bom - então eu comecei a sentir mais medo, agarrei Arthur e abracei o mesmo, ele me mudou de posição rapidamente, me colocando em seu colo, escondi meu rosto em seu ombro e ele riu, passei a mão por sua nuca e voltei a olhar em seus olhos, nunca aconteceu isso comigo, era uma conexão louca, como se a gente conversasse por olhares, ele passou a mão por minha cintura me encaixando melhor nele e então tomou meus lábios calmamente, eu havia me esquecido o quão era bom beijar, então paramos com selinhos, eu fiquei meia confusa e sai de cima dele, peguei meu iphone e fui em direção a porta, ele me segurou pelo braco e voltou a me beijar.
- fique - disse enquanto conciliava a respiração 
- não me beije mais - ele assentiu, voltei a sentar ao lado dele. 
       CAP;2
- Bom dia Lua. 
- Onde eu estou? - você pegou no sono, achei melhor não te acordar
- dormiu comigo?
- não, dormi na sala - suspirei aliviada 
- Thur - me confundi - Quero dizer Arthur - enfatizei - Oi Lua
- eu vou pra casa 
- eu te levo
- Arthur, não sou uma criança, vou sozinha - levantei meio atordoada e ele me pegou pela cintura, ficamos trocando olhares, eu encostei a testa na dele e acariciei seu rosto, dei um selinho demorado e sai da casa dele, ele ficou parado pensando em eu sei la o que, eu provoquei, mas talvez nem gostasse dele, alias, nem posso gostar. 
- dormiu onde Sophia?
- no Arthur... - ela fez uma cara de alegre e pulou em mim
- conta tudo.
- não tenho o que contar, eu peguei no sono, foi só isso
- não rolou nem um beijinho?
- rolou, MAS - enfatizei no ''mas'' - não transamos, se for o que quer saber
- mas pelo menos beijou né - rimos 
- vou tomar um banho 


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